A história é escrita por aqueles que negam a submissão e entendem, segundo seus princípios, que o primeiro passo para a liberdade é a consciência crítica. O problema está na extensão disso, que, em muitos casos, acaba se tornando uma visão deturpada do que é ideal para todos, tendo como base sentimentos individuais.

Não é de hoje que o individualismo molda nosso mundo. Isso porque, quando carregado de força de vontade, o ser humano é capaz de muito, sobretudo quando domina as habilidades sociais necessárias à manipulação e ao convencimento, arte que acaba por corromper, pois, uma vez aplicada, pode tornar-se uma prática contínua.

A criticidade não é de todo mal, mas é volátil tanto quanto um átomo quando exacerbada. Não à toa, muitos intelectuais adoecem e tantas figuras históricas tirânicas encontram seu fim em decorrência de suas próprias imaginações idealistas. Deve-se tomar cuidado com nossa própria mente, pois ela trama e planeja contra nós mesmos.

Acerca disso, o único fator que pode se contrapor a essa natureza maligna é a capacidade de se autonegar, não na raiz da palavra, mas no sentido de benignidade mental. Ou seja, é preciso ter consciência de que nem todo pensamento ou idealização crítica é necessariamente bom ou justo, pois as bases de sua “teoria” são simplesmente suas próprias experiências.

Refletir sobre isso é sinônimo de humildade: reconhecer que, por mais que desejemos, nosso ponto de vista não é o único em um mundo tão polarizado.