Caderno Política · Análise
No primeiro fim de semana de outubro de 2026, duas mulheres de 23 anos venceram eleições legislativas em lados opostos das Américas. Em São Paulo, Eduarda Campopiano (PL) saiu das urnas como a deputada estadual mais votada do estado, com 1.956.238 votos10. Um dia depois, em Québec, Éloïse Coulombe, do Parti conservateur du Québec (PCQ), conquistou a circunscrição de Charlesbourg e se tornou a mulher mais jovem já eleita para a Assembleia Nacional da província1. As duas têm a mesma idade, são da direita em sentido amplo e foram eleitas no mesmo mês. Mas uma chegou ao parlamento falando de impostos, moradia e filas de cirurgia. A outra chegou falando de feministas, cotas e identidade de gênero.
A comparação parece feita sob medida para confirmar um velho diagnóstico: o de que o Brasil prefere o espetáculo ao debate. O diagnóstico tem fundamento, e este texto vai sustentá-lo. A explicação de costume, porém, está errada. A diferença entre as duas não revela um povo mais frívolo de um lado e mais racional do outro. Revela dois sistemas eleitorais que premiam coisas diferentes. Isso torna a distância do Brasil em relação a um debate técnico mais séria do que o clichê do pão e circo sugere, mas também mais tratável. Um defeito de caráter nacional seria irremediável. Um defeito de desenho institucional pode ser discutido.
Mesma idade, escalas incomparáveis
Coulombe venceu em Charlesbourg com 16.882 votos, ou 38,49% dos votos da circunscrição, à frente do candidato do Parti Québécois2. Campopiano recebeu cerca de 116 vezes mais votos. No ranking histórico da Assembleia Legislativa de São Paulo, ficou atrás apenas de Janaina Paschoal, que somou 2.060.786 votos em 201810. Dois anos antes, Campopiano havia sido eleita vereadora de Praia Grande com 3.583 votos11. Em 24 meses, multiplicou sua votação por mais de 500.
| Critério | Éloïse Coulombe (Québec) | Eduarda Campopiano (SP) |
|---|---|---|
| Partido | Parti conservateur du Québec | Partido Liberal (PL) |
| Votos | 16.882 | 1.956.238 |
| Regra de eleição | Majoritária, um eleito por circunscrição | Proporcional de lista aberta, estado como distrito único |
| Campanha ancorada em | Plataforma orçada do partido | Marca pessoal nas redes |
| Economia | Equilíbrio orçamentário em 4 anos, corte de impostos | Ausente das bandeiras destacadas na cobertura |
| Saúde e moradia | Prazos máximos de cirurgia, descentralização, liberalização da construção | Ausentes das bandeiras destacadas na cobertura |
| Costumes | Linha de não intervenção do Estado na vida privada | Antifeminismo, contra o aborto e as cotas raciais |
| Polêmica central | Falas sobre vacinas em entrevista de rádio | Ação civil pública do MP-SP por post contra Erika Hilton |
O que cada uma levou para a campanha
Coulombe: uma plataforma que cabe numa planilha
O PCQ de Éric Duhaime disputou 2026 com um programa de corte liberal na economia e libertário nos costumes, organizado em torno da ideia de que o Estado quebequense é caro demais para o que entrega. Na frente fiscal, o partido prometeu voltar ao equilíbrio orçamentário em quatro anos, controlando o crescimento das despesas e revisando programas, e oferecer uma redução histórica da carga tributária sobre as pessoas físicas7. Em infraestrutura, a diretriz foi consertar antes de construir, com prioridade para a manutenção de estradas, escolas e equipamentos existentes7.
Na moradia, o foco declarado foram os jovens. O partido propôs liberalizar a construção para facilitar o acesso à casa própria das gerações mais novas5, simplificar o código de edificações e investir em subsídio ao aluguel em vez de construir unidades de habitação social8. É uma aposta clássica do lado da oferta: o problema seria a regulação que encarece e atrasa a obra, não a falta de Estado construtor.
Na saúde está a proposta mais controversa, e é ela que coloca o PCQ à direita pelos padrões canadenses. O partido quer abolir a agência Santé Québec, cortar 25% da burocracia e devolver poder aos estabelecimentos, num movimento explícito de descentralização6. O compromisso central é fixar prazos máximos para as principais cirurgias. Se o prazo estourar, o paciente seria atendido em outro lugar, público ou privado credenciado, com a conta paga pela RAMQ, o seguro público da província6. O plano também prevê de 400 a 500 vagas adicionais por ano em medicina e a formação de 1.500 enfermeiras de prática avançada no primeiro mandato6. Concorde-se ou não, cada item tem número, prazo e custo, e pode ser contestado com outros números. Uma análise publicada após a eleição observou que o PCQ apresentou o quadro financeiro mais detalhado de toda a campanha9.
Nos costumes, a lógica é a inversa da brasileira. O Canadá tem consensos consolidados nesse terreno: o aborto foi descriminalizado em 1988 pela Suprema Corte, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo é lei federal desde 200518. A plataforma do PCQ não propõe reabrir esses temas. A matriz libertária do partido trata o Estado como intruso na vida privada, e não como guardião de uma moral. É por essa chave que se entende a declaração mais polêmica de Coulombe na campanha. Numa rádio de Québec, ela disse não se incomodar em sentar ao lado de um colega não vacinado, defendeu que recusar vacinas é um direito e não quis dizer se é vacinada, alegando tratar-se de questão pessoal3. A frase é discutível do ponto de vista sanitário. Mas é coerente com o princípio de não intervenção, e não um chamado a uma cruzada moral.
Depois de eleita, Coulombe disse que pretende fazer uma política mais próxima das pessoas, presente na circunscrição, e apontou como prioridade local a oposição ao projeto de tramway da capital1. Não há na cobertura da campanha episódio em que ela tenha dirigido ataque pessoal a uma adversária. Sua polêmica nasceu de uma pergunta de entrevistador, não de uma provocação que ela tenha publicado.
Campopiano: uma identidade que cabe num corte de 30 segundos
Campopiano construiu sua identidade pública em torno de pautas morais. Ela se opõe ao aborto, defende a redução da maioridade penal e critica as cotas raciais11. No Instagram, apresenta-se como a maior inimiga das feministas de São Paulo14, e compilações de suas falas registram a afirmação de que o feminicídio não existiria como categoria15. O formato de sua ascensão faz parte do conteúdo. Ela apostou em cortes curtos para as plataformas, em presença constante em podcasts e programas do campo conservador e na associação de imagem com Tarcísio de Freitas, Guilherme Derrite e a família Bolsonaro10. Nas reportagens sobre sua eleição, propostas para o orçamento paulista, a saúde estadual ou o transporte metropolitano não aparecem entre as bandeiras destacadas.
O episódio que melhor resume esse modelo veio no dia seguinte à eleição. Campopiano publicou uma provocação à deputada federal Erika Hilton (PSOL), mulher trans reeleita com 1.596.472 votos, chamando-a de "homem biológico"12. Em 20 de outubro, o Ministério Público de São Paulo ajuizou ação civil pública. O pedido inclui indenização de ao menos R$ 100 mil por danos morais coletivos, retratação pública e participação em curso sobre inclusão12. Ainda não há decisão judicial. A equipe da deputada eleita sustenta que a publicação teve caráter provocativo dentro do debate político e nega intenção discriminatória13.
Postos lado a lado, os dois perfis mostram o contraste. A primeira mensagem pública de Coulombe como eleita tratou de uma obra urbana com custo e traçado. A de Campopiano tratou de uma adversária de outro partido e de outra casa legislativa, e era a mensagem com maior potencial de circulação. A explicação para essa diferença começa no que cada sistema exige de quem quer ser eleito.
O Brasil não tem um eleitorado mais frívolo. Tem um sistema que paga mais caro pela atenção do que pela proposta.
O sistema escolhe o assunto
Québec elege seus 125 deputados por circunscrições de um só eleito: vence quem tiver mais votos naquele território. Charlesbourg reúne algumas dezenas de milhares de eleitores. Nesse desenho, a candidata precisa convencer vizinhos sobre problemas que eles vivem, e o tramway é um assunto que se vê da janela. Um vídeo viral ajuda, mas não substitui a conversa sobre o bairro, porque o eleitor de Montréal que compartilha o vídeo não vota em Charlesbourg.
São Paulo elege seus 94 deputados estaduais pelo sistema proporcional de lista aberta, com o estado inteiro funcionando como um único distrito16. Os votos do partido definem quantas cadeiras ele ocupa, e os candidatos mais votados da legenda ficam com elas. Em 2026, isso significou disputar a atenção de um universo superior a 23 milhões de votos válidos. Nenhum tema municipal escala para esse tamanho. O que escala são identidade, conflito e reconhecimento de marca, justamente os ativos que as redes sociais produzem em série.
Plataforma de partido contra marca pessoal
Há uma segunda diferença, menos óbvia e talvez mais decisiva. No sistema parlamentar quebequense, quem vence a maioria das circunscrições forma o governo. A plataforma do partido funciona, portanto, como uma proposta de gestão, e os candidatos locais são seus portadores. Coulombe não precisou inventar uma política de saúde própria. Ela fez campanha com um plano orçado que o partido inteiro defendia, e é esse plano que adversários, imprensa e eleitores podem cobrar. Com 20,7% dos votos e 19 cadeiras, o PCQ sai da eleição com uma bancada capaz de pressionar o governo com base nesse programa9.
Na lista aberta brasileira, a lógica se inverte. O principal concorrente de um candidato a deputado estadual não é o adversário de outro partido, mas o colega da própria legenda, que disputa os mesmos votos para ficar com as mesmas cadeiras. Ninguém se diferencia de um colega de partido apresentando o programa do partido. A diferenciação se faz pela marca pessoal, e a marca mais eficiente em escala estadual é a que provoca reação. Além disso, deputados estaduais não formam governo. Quem define orçamento e prioridades é o governador, e o detalhamento técnico tem pouco retorno eleitoral para quem disputa a Alesp. O sistema não proíbe o debate técnico. Ele apenas o torna um mau investimento.
Há ainda um efeito menos visível. Uma votação como a de Campopiano não elege apenas a própria candidata: o excedente ajuda a eleger colegas de partido que o eleitor muitas vezes nem conhece. A figura do puxador de votos transforma a celebridade digital num investimento racional para qualquer legenda. O incentivo não está na cabeça do eleitor, está na planilha do partido.
Lacração não tem lado
Esse ponto exige honestidade. A economia da atenção não é exclusividade da direita. A própria Erika Hilton é um fenômeno de votação construído em grande parte no ambiente digital, e o embate entre as duas é, ele mesmo, um produto que alimenta as bases dos dois campos. Quando a discussão pública se organiza em torno de quem humilhou quem, os dois lados ganham engajamento e o eleitor perde informação sobre o que será votado na Alesp.
Pão e circo, ou incentivo e resposta
A expressão vem do poeta latino Juvenal, que no início do século II ironizava um povo romano que, tendo aberto mão do poder político, passara a desejar apenas pão e jogos17. No Brasil, ela virou explicação pronta para qualquer resultado eleitoral que desagrade quem a usa. O problema da frase é que ela trata o eleitor como espectador passivo e absolve quem montou o espetáculo.
Um eleitor paulista que quisesse votar com base em propostas técnicas para a Assembleia teria diante de si centenas de candidatos, sem vínculo territorial claro, disputando o mesmo distrito de dimensões continentais e sem plataforma partidária que os obrigue a algo. A informação necessária para comparar propostas é cara, e muitas vezes nem existe. Já a informação necessária para reconhecer uma figura conhecida das redes é quase gratuita. Escolher pelo que se reconhece não é sintoma de frivolidade. É a resposta previsível de qualquer pessoa diante de custos de informação tão desiguais. O eleitor de Charlesbourg não é mais sofisticado. Ele apenas recebeu uma escolha mais simples: alguns poucos nomes, cada um carregando um programa conhecido, para um território que ele conhece.
Contraponto
O exemplo canadense é menos limpo do que parece. O PCQ cresceu explorando a revolta contra as restrições sanitárias da pandemia, e Coulombe ganhou visibilidade na internet ao tratar de aborto e vacinas em entrevistas e podcasts4. Seus adversários também contestam o rótulo de seriedade técnica do programa. A então primeira-ministra Christine Fréchette comparou os cortes propostos pelo partido à austeridade que levou a protestos em toda a província em 20158. Ter números não torna uma plataforma correta, apenas a torna contestável.
Voto em valores não é voto irracional. Para boa parte de seus quase 2 milhões de eleitores, Campopiano representa preocupações reais com segurança, família e o que percebem como imposição cultural. Tratar esse voto como mero entretenimento repete o desprezo que o clichê do pão e circo carrega e tende a reforçar a polarização que pretende criticar.
A reforma não é solução automática. Sistemas distritais têm seus próprios vícios, como a sub-representação de minorias dispersas e o paroquialismo. O debate sobre voto distrital misto, que reaparece periodicamente no Congresso, envolve trocas reais, e não apenas ganhos.
O que a comparação pede do Brasil
A conclusão incômoda não é que o Brasil esteja condenado ao circo. É que o país está, sim, distante de um debate técnico, e por razões que podem ser nomeadas. Quando a regra eleitoral transforma o estado mais populoso do país num único distrito e põe colegas de partido para competir entre si, a disputa por atenção vale mais do que qualquer plano de saúde ou de moradia. O resultado é uma Assembleia que votará orçamento, segurança pública e transporte de mais de 40 milhões de pessoas a partir de mandatos conquistados, em boa medida, por outra coisa. Em Québec, uma deputada de 23 anos com pouco mais de 16 mil votos vai cobrar do governo prazos de cirurgia e regras de construção. Em São Paulo, uma deputada da mesma idade com quase 2 milhões de votos inaugura o mandato respondendo a uma ação por um post.
Há três caminhos práticos, nenhum deles mágico. O primeiro é institucional: retomar com seriedade o debate sobre o desenho distrital e sobre o peso das plataformas partidárias, sabendo o que se ganha e o que se perde. O segundo é de imprensa e sociedade civil: acompanhar o que os novos deputados efetivamente propõem e votam a partir de fevereiro de 2027, e não apenas o que publicam. O terceiro cabe aos próprios eleitos. Um mandato de quase 2 milhões de votos é uma enorme reserva de capital político. A pergunta que vale para Campopiano, e para qualquer campeão de votos, é simples: o que ela vai fazer com ele quando a Alesp votar algo que não cabe num corte de 30 segundos?
Perguntas frequentes
Quem são Eduarda Campopiano e Éloïse Coulombe?
Campopiano (PL) foi eleita em outubro de 2026 a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos. Coulombe (Parti conservateur du Québec) venceu em Charlesbourg e se tornou a mulher mais jovem já eleita para a Assembleia Nacional do Québec. Ambas têm 23 anos.
O que propõe o partido de Éloïse Coulombe?
O PCQ defendeu em 2026 o equilíbrio orçamentário em quatro anos, uma redução histórica de impostos, a liberalização da construção de moradias e uma reforma da saúde que fixa prazos máximos para cirurgias, com atendimento no privado credenciado pago pelo seguro público quando o prazo não for cumprido. Nos costumes, segue uma linha de não intervenção do Estado na vida privada.
Por que Campopiano teve mais de 100 vezes os votos de Coulombe?
Porque os sistemas são diferentes. Em São Paulo, deputados estaduais são eleitos pelo voto proporcional de lista aberta, com o estado inteiro como distrito. Em Québec, cada deputado é eleito numa circunscrição própria, com algumas dezenas de milhares de eleitores.
Por que a lista aberta favorece a marca pessoal?
Porque o candidato disputa os mesmos votos com colegas do próprio partido e não pode se diferenciar deles pelo programa partidário. Em escala estadual, a diferenciação mais eficiente costuma ser a visibilidade nas redes, não o detalhamento técnico.
Campopiano foi condenada por transfobia?
Não. Em 20 de outubro de 2026, o MP-SP ajuizou ação civil pública pedindo indenização de ao menos R$ 100 mil, retratação e curso sobre inclusão. O pedido ainda depende de decisão judicial, e a defesa sustenta que a publicação foi uma provocação política sem intenção discriminatória.
A expressão "pão e circo" explica o voto brasileiro?
A expressão, de Juvenal, descreve um público passivo. A análise institucional sugere outra leitura: em distritos enormes e sem plataformas partidárias fortes, informação sobre propostas é cara e reconhecimento de marca é barato, o que favorece candidatos com forte presença digital em qualquer país.
Referências
- Noovo Info. "Malgré ses études, Éloïse Coulombe travaillera «à temps plein» pour les citoyens de Charlesbourg", outubro de 2026. noovo.info
- Resultados da circunscrição de Charlesbourg, eleição geral do Québec de 2026 (compilação a partir de dados de Élections Québec).
- Noovo Info. "«Anti-vaccin»: Sylvain Bouchard reçoit une vague de haine après une entrevue avec une candidate du PCQ", 2026.
- Noovo Info. "Une candidate conservatrice polarisante" (vídeo), 3 de setembro de 2026.
- Noovo Info. "En route vers les élections: que propose le PCQ de Duhaime?", 2026.
- Noovo Info. "Santé: le PCQ veut abolir Santé Québec et réduire la bureaucratie de 25%", 2026.
- Noovo Info. "Le PCQ promet de retourner à l'équilibre budgétaire en quatre ans", 2026.
- The Canadian Press, via CTV News Montreal. "Quebec Conservatives unveil election platform focused on pro-family policies", 20 de agosto de 2026.
- Geneviève Tellier. "La montée du conservatisme au Québec?", Le Soleil, 10 de outubro de 2026.
- Poder360. "Eduarda Campopiano tem votação histórica aos 23 anos", outubro de 2026.
- SBT News. "Influencer do PL é a deputada estadual mais votada de SP", 5 de outubro de 2026.
- Itatiaia. "MP pede indenização e retratação de Campopiano por transfobia contra Erika Hilton", outubro de 2026.
- Tribuna de Jundiaí. "MP pede condenação de Eduarda Campopiano por publicação contra Erika Hilton", outubro de 2026.
- Metrópoles. Reportagem sobre a deputada eleita Eduarda Campopiano, outubro de 2026.
- Gazeta SP e NSC Total. "Quem é Eduarda Campopiano? Confira as 10 declarações da jovem conservadora", outubro de 2026.
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sistema proporcional e cálculo do quociente eleitoral.
- Juvenal. Sátiras, X, 77 a 81.
- Suprema Corte do Canadá, R. c. Morgentaler (1988); Loi sur le mariage civil, Parlamento do Canadá (2005).
Este artigo tem como fonte principal a reportagem da Noovo Info indicada na referência 1, usada como ponto de partida e não reproduzida. A análise, os dados brasileiros e a comparação institucional são de responsabilidade do Time Editorial de O Tecido, com base nas fontes listadas.