Ser monarquista não é uma opção motivada pela decepção, mas sim uma convicção construída por meio da informação. Qualquer cidadão que verdadeiramente se interesse pela verdade jamais deveria ser influenciado por verbalizações ignorantes que sustentam um golpe, encobrindo-o com um véu de libertação e progresso.

A realidade se torna cada vez mais evidente a cada passo da República, e o mau cheiro antes disfarçado por migalhas de esperança lançadas ao povo deixa de ser aceito. Assim, desperta-se no povo brasileiro um sentimento de revolta patriótica, rumo à verdadeira soberania.

Tal momento não poderia ser mais oportuno do que aquele que vivemos e observamos. São escândalos, crises, clara insatisfação popular e acontecimentos que expõem as fragilidades de um sistema marcado pela polarização, por interesses individuais e por decisões, no mínimo, contestáveis.

Podemos citar, por exemplo, acréscimos de taxas em valores considerados absurdos, notícias acerca de aumentos de impostos ou a resistência à diminuição de determinados tributos, como no caso do IPTU em São Paulo. E, obviamente, não podemos ignorar as intermináveis balbúrdias políticas, incluindo o escândalo envolvendo o Banco Master.

Essas podem ser citações rasas, mas são episódios já conhecidos por todos e que claramente manifestam a insatisfação de uma parcela do povo, este que já está farto de promessas que deveriam constituir objetivos mínimos por parte de qualquer governo que se julgue defensor da igualdade, do acesso à dignidade e da justiça.

Pois bem, senhores: são veias abertas que jorram sangue de um ser já em putrefação, sustentado por muletas e respirando por aparelhos.

O outrora Império Brasileiro não reluzia exatamente como ouro, mas jamais se rebaixou ao status de um Estado negligenciado. Também houve revoltas, mas estas foram enfrentadas e, posteriormente, a unidade foi estabelecida. Houve dívida, mas esta era liquidada mediante o corte de despesas desnecessárias, incluindo aquelas relacionadas ao próprio Imperador, e não através da constante redução da autonomia do povo.

Houve escândalos, mas jamais uma sucessão de polêmicas venais e irresolutas como as que observamos atualmente. Isso porque nosso representante não trataria seu cargo como uma ocupação soberana, mas como um compromisso com a Constituição, com sua terra e com seu povo, pelo qual deveria nutrir verdadeiro respeito e devoção.

Não há maior tristeza para uma nação do que sofrer a abnegação de seus próprios direitos como ser humano. Na historiografia brasileira, isso se traduz naquele golpe chamado Proclamação da República. Não houve aclamação popular; o povo, quando despertou naquele 15 de novembro, ficou atônito e perdido, pois havia adormecido em um Império e acordado em uma República.

A discordância e a instabilidade foram tamanhas que, poucos anos depois, até mesmo a Marinha brasileira se levantaria contra o novo regime, em episódios que ficariam conhecidos como Revoltas da Armada.

Hoje, mais de 140 anos depois, não faltam elogios ao Segundo Reinado e a Dom Pedro II, monarca reinante à época. Suas ações foram fundamentais para o desenvolvimento do país, especialmente em um período no qual diversas tecnologias ainda representavam absoluta novidade. Entre elas, podemos mencionar os investimentos em infraestrutura e comunicação, que contribuíram para a implantação da energia elétrica, do telégrafo e das primeiras linhas telefônicas no Brasil.

Em outros campos, podemos citar o desenvolvimento da medicina, o investimento incansável na preservação da história e da geografia nacionais por meio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, além do apoio concedido a brasileiros que tiveram a oportunidade de estudar no exterior.

E, naturalmente, não se pode ignorar o processo de abolição da escravatura. Embora a escravidão tenha persistido por tempo demasiadamente longo, sua extinção encontrou forte resistência entre setores econômicos e políticos ligados aos interesses escravistas. A Lei Áurea, enfim, colocaria termo jurídico à escravidão no Brasil em 1888.

Como pessoa, o monarca possuía uma natureza intelectual e, segundo diversos registros de sua vida, demonstrava grande apreço pelo conhecimento, pelas artes, pela ciência e pela educação. Era, acima de tudo, um brasileiro profundamente ligado à sua terra.

Ao fim de sua vida, já no exílio, teria expressado o desejo de repousar novamente em solo brasileiro. Não por acaso, sua figura continuaria despertando admiração mesmo após a queda da Monarquia.

É justamente nesse ponto que reside uma das maiores contradições de nossa história: um homem que dedicou grande parte de sua existência ao Brasil terminou seus últimos anos longe da terra que governara durante quase meio século.